domingo, 22 de maio de 2011

Nada Como se Entupir de Futilidades Materiais Para Preencher o Vazio da Existência

Porque vocês todos não morrem? Dolorosamente, de preferência?
Olha, não só baseado naquele princípio de manter a calma e discrição pra soar superior à pessoa que se quer meter o indicador nas fuças, mas é que meu coração pode explodir qualquer dia desses se eu me deixar possuir por esse tipo de situação que, na verdade nem é intencional, mas é que, sei lá, essa gente parece que faz de propósito, só pode ser, por que não é possível que exista gente assim tão desnecessária pra vida na terra.
Um dia desses, no mormaço de minha rotina, meu ouvido é o escolhido a passar por penico e comportar uma tonelada de bosta verbal. Duas patricinhas tagarelando sobre suas mais recentes e fúteis aquisições por meio de dinheiro que não lhes pertence, para comprar o que não precisam e impressionar quem não conhecem. Fingir que não ouço ou aceitar que isso é apenas uma fase da aborrescência são alternativas inviáveis a mim, pelo menos nessa vida, então o que fazer? Sem pestanejar, julgo-as e se pudesse lhes daria a sentença de morte ali mesmo naquele exato segundo.
No momento de cólera não paramos para uma auto-análise, assim não reparamos as coisas semelhantes que fazemos. Não que seja da mesma forma ou nível, mas acontece.
Às vezes paro pra pensar mesmo sem saber o que pensar a respeito das roupas que vestimos. Porque você usa uma camiseta? Tá, uma questão de pudor em alguns casos, e em outros casos conforto, saúde, etc. A pergunta reformulada seria, “Porque você utiliza uma peça de roupa com uma estampa X ou por ser de uma grife famosa e cara?” No caso de uma simples estampa, por mais barata que tenha lhe custado, a quem você quer agradar? Todo mundo vai responder que comprou a peça com aquela imagem (ilustração, foto) unicamente por achar bonito e se sentir bem. Mas o contato com a imagem causa alguma sensação física prazerosa no corpo ou a pessoa se sente bem por que aquela bonita estampa (também se aplica a frases de orgulho, liberdade de expressão. Por exemplo: “_olhem, eu conheço isso, eu gosto daquilo, eu penso assim, eu tenho personalidade, eu formulo minhas próprias opiniões sobre tudo”) chamou a atenção de alguém que pode vir a elogiar ou apenas olhar em sinal de aprovação? Isso não seria agradar aos outros e não a si mesmo? Ou, no mínimo, querer provar algo pra alguém, impressionar?
No caso de uma marca famosa, existe a questão de inclusão social, status que tal grife agrega à reputação da pessoa. Tudo bem que o alto custo de uma roupa de marca significa uma alta qualidade de material e extensa durabilidade do produto, mas com certeza quase ninguém consome visando estes quesitos e nem se tocam de que estão fazendo propaganda gratuita pra uma empresa e ainda pagando por isso.
Ninguém sabe ou tem o direito de dizer o que é certo ou errado, pessoas com as melhores opiniões são aquelas que as guardam pra si. Tudo isso não passa de uma reflexão, pois eu também sou um portador desse doente consumismo que já vem enraizado no pacote da vida antes mesmo de você saber o que é dinheiro. Aposto que ninguém lembra quando tomou o primeiro gole de Coca Cola, como também não se lembra a primeira vez que desejou algo ou chorou ao pai por dinheiro para adquirir aquele brinquedo que todos os garotos da vizinhança possuíam.
Muitos são contra colecionar coisas que não se pode utilizar como um livro, filme ou disco. Por exemplo: selos postais ou rótulos de refrigerantes de marca inferior, pois no caso, a única coisa que se pode fazer com isso é olhar e admirar. São os que ostentam. E assim como há pessoas que só compram o necessário, há também quem seja viciado em comprar o necessário.  Tem ainda quem faça estoque de coisas que não sabe se vai usar um dia, apenas por precaução, sob a paranóia do fim do mundo.
Eu compro guarda-chuvas. Por sempre perde-los, por gastura à roupa com cheiro de água pluvial, por trauma de sempre estragar minha arte impressa, pra me prevenir contra gente melodramática choramingando suas decepções amorosas (sabem, né!?! Eu não tenho sentimentos...Se ironia mata-se...), contra gente que se empolga e fala cuspindo, também os casais a todo hormônios transando ao volante sem desviar das poças d’água, etc.
Um ambicioso projeto é desenvolver um modelo que seja leve como uma pena para poder ser transportado com facilidade, mas resistente como o aço para estar preparado no caso de uma chuva de sapos. Plausíveis justificativas para o meu consumismo inconsciente.

Ó cenário perfeito para o encontro de figurantes. Estes que não passam de pessoas projetadas para tirar o foco dos protagonistas que atuam naturalmente nesta história sem fim, enredo amputado de pé e cabeça. Experimente seguir tais figurantes até seu suposto destino e perceberá que tal lugar inexiste. Talvez uma hora eles ricocheteiem em alguma parede ou simplesmente sumam através dela como nestes modernos e violentos jogos de videogame. Não que haja necessidade de um genocídio para o êxito ser alcançado. Apenas basta seguir o coração. E seguir o coração consiste em negar os próprios sentimentos priorizando o raciocínio.

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