segunda-feira, 16 de maio de 2011

A Sutil Arte de Perder Guarda-Chuvas

Ok, eu até concordo que pra se viver feliz, livre, é preciso se desprender de qualquer apego material, mas até Buda ficaria puto de comprar um guarda-chuva em um dia e perdê-lo no outro. Consegue imaginar o quanto eu blasfemei e praguejei aos quatro ventos?
Quem me conhece agora vai entender por que eu não compro uma sombrinha há tanto tempo, porque vivo encharcado. Já deve ter uns quatro anos que ando por ai com a roupa fedendo a água da chuva! As últimas vezes que comprei algum, fiz questão de perder o mais rápido possível, como se estivesse apostando algum tipo de competição. Tudo bem que não foi no dia seguinte, mas com certeza nunca chegou há durar um mês comigo, inclusive os que eu achei por ai. Sorte e azar!
Mas dessa vez foi a gota d’água, só o utilizei uma vez, só molhei os pés uma vez (por que, vamos e convenhamos, não importa quão grande eles sejam, nunca protegem o suficiente, eu digo  em relação ao pés...sem contar as “chuvas laterais”, aquelas que vêm empurradas pelo vento), praticamente tirei o cabaço e levei um pé na bunda.. Quem achou agradeceu, aposto.
Será que pensou: “_Qual o tipo de animal que esquece um guarda-chuva novinho desses no ônibus?” Eu pensaria.  “Animal” é uma palavra que gosto de usar pra classificar gente burra como eu fui. Tá, tudo bem que pode soar grosseiro de minha parte, e um pouco cruel comigo mesmo, mas consegue se por no meu lugar? Será que to fazendo tempestade?
Só pode ter sido praga da vendedora. Tava um dilúvio, e eu voltei (muito puto, pra variar) reclamando do fechozinho que já havia quebrado pouco depois de eu ter saído da loja. Não dava nem pra agüentar até chegar em casa e reforçar com uma agulha e linha de costura. Exigi a troca que foi atendida com uma cara de bunda da mulher “_Vai querer trocar só por isso?” – perguntou ela. Procurei parecer o mais razoável.

Abençoada seja minha válvula de escape natural. Principalmente quando me afasta do botão de autodestruição. Ou me faz pensar sobre quantos fios de cabelo somados deve haver nas cabeças de todas as pessoas de todas as casas que vejo ficando pra traz.
Uma coisa leva à outra, um raciocínio leva a outro raciocínio. Que quando dou por mim já nem sei onde comecei. Já passei pelos estudos do espaço/tempo, pelo procedimento cirúrgico conhecido como trepanação até chegar ao raro fenômeno da chuva de sapos. Evito pensar sobre “o viver”, mas quando penso em não pensar quer dizer que já estou pensando. Isso combina com o cinzento céu nublado que eu gosto de olhar, mas me deprime. Uma sensação que também gosto de sentir, depressão boa! Sinto o mesmo quando anoitece, pelo menos quando não estou dentro de nenhum lugar e acabo vendo o céu escurecer. Sei lá, as luzes nos postes têm um brilho diferente, mais destacado, parecendo que a cidade está movimentada, todos fazendo algo coletivo escondidos sem me convidar pra participar. Já me disseram que é a morte do dia...
Depois de uma leitura impactante me vejo fora dessa órbita. Sinto-me bem estando b...

...Putz, cheguei ao meu destino... Desci do ônibus... E. Porra, esqueci meu guarda-chuva por lá!



Nenhum comentário:

Postar um comentário