segunda-feira, 27 de junho de 2011

Onde a Vida é Bela... De uma Merda


Depois me tacham de revoltado!

Nunca reparo com que pé piso primeiro no chão após acordar, mas com certeza hoje devo ter usado o esquerdo. Só pode.
Crente que ia me livrar de uma vez por todas dessa faculdade medíocre, entupida de professores antiéticos, me deparo com a realidade de que até o último segundo me estressarei nesse Uninferno.
Pra tudo existe uma taxa: trancar a matrícula, solicitar histórico, cagar no banheiro deles, passar mal com as fúteis calouras gostosas. Sem contar o fato de aqui você ser assaltado todo mês na mensalidade e ainda pagar preços abusivos na cantina por lanches de merda enquanto na escola pública você não gastava porra nenhuma e ainda usufruía do maravilhoso macarrão com salsicha, mingau de chocolate no prato azul de plástico, sopa de letrinhas, macarrão colorido, etc. Bons tempos...
O curioso é eu ter sido razoável com o atendente que me disse pra pagar isso, preencher requerimento daquilo. Talvez porque eu esteja em um momento de redenção na minha vida. Relevando alguns casos em que tentaram me fuder, controlando meu gênio pavio curto, deixando de roubar livros, etc. Ou então porque eu tenha percebido que ele estava ali apenas sendo pago para aquilo, representando um papel pra por comida dentro de casa às custas da desgraça alheia. Digamos, uuuuummmm... Canibalismo social.
Então eu me pergunto, o que será que é feito com toda essa quantia embolsada? Minha teoria suspeita de festas regadas à cocaína e prostituição infantil porque, cá entre nós, na melhoria geral da universidade eu não vejo investimento algum. Principalmente em relação ao ensino. Mais cara de pau que um sulfite grudado com fita adesiva na porta do banheiro da repartição com o aviso de manutenção... Como se ninguém se tocasse que a privada tá entupida de bosta.
Pois é, eu bem que tento me incluir socialmente. Estudo, trabalho, pago impostos e o que recebo? Um tsunami de burocracia! Depois não digam que eu não tento, nem “_credo, você é muito extremista!” e nhem nhem nhem!  Porra, tem que haver um certo ódio no olhar pra não se deixar iludir pelos “encantos” da vida. É um equilíbrio necessário pra pessoa ficar esperta e preparada pras adversidades. Porque se você achar que é tudo uma maravilha, ou você mente pra si mesmo, é ingênuo ou hippie! O caótico tem seu lado belo enquanto que o que é belo muitas vezes é uma merda, te engana, utiliza-se de um disfarce convincente pra esconder o podre que há por trás.

Não bastasse tudo isso, completei o pé frio do dia com o desprazer de presenciar um horrível acidente de trânsito no retorno pra casa, o atropelamento de uma senhora de idade. Disseram que ela havia esquecido na loja do outro lado da calçada um guarda-chuva novinho emprestado de uma amiga e, desesperada, atravessou a rua sem olhar para os lados quando aconteceu a tragédia.
Não que me tenha sido uma experiência traumatizante, longe disso. Mas o cheiro de morte no ar desencadeou uma sensação em mim há muito apagada da memória, a qual não me orgulha nem um pouco... Meu estranho gosto por carne humana...

Então, eu sou... Ah, enfim, é irrelevante mencionar meu nome diante de tanta sujeira que eu pretendo relatar aqui. Como eu não encontro palavras pra exemplificar claramente, vou despejando o entulho e explicando melhor enquanto você digere. Sem mais delongas, minha desumana trajetória começa há mais ou menos cinco anos atrás quando eu fui vítima de uma estratégia doentia da mídia por dinheiro.
Até hoje me questiono que raios eu tava fazendo naquela porra de rua estreita e escura àquela hora da madrugada. Pra você ter uma noção, sequer havia ratazanas circulando de lixo em lixo atrás dos restos de comida que os mendigos não encontravam. Caminhar faz bem, respirar um ar poluído, pensar na sua vida e na morte do desafeto. Mas quatro da madruga? É pedir pra se fuder mesmo. Deu no que deu. Surpreendido, com o cu na mão, abordado e cercado por uma corja de filhos da puta encapuzados, fui arremeçado como um saco de cimento pra dentro duma van negra. Permaneci o trajeto inteiro desfalecido pra somente acordar em um enorme barracão estranho com um infinito quintal repleto de árvores compridas.
Cara, o que era aquilo? Uma penca de gente seminua entrando e saindo do que pareciam ser ocas indígenas. De início, meio zonzo, não consegui assimilar o que se passava, mas depois da confusão em minha cabeça ter passado, pude perceber que se tratava exatamente de uma tribo indígena habitando o lugar. Bom, se eram de uma única tribo, de início não saberia dizer, mas que eram todos peladões e cara de um focinho do outro, isso é inegável.
Pareciam não ter me visto, pelo menos foi o que pensei até descobrir que uma enorme parede de vidro nos separava e do lado em que eu estava havia uma cabana dessas de acampamento de escoteiros.
Mesmo pertencendo a realidades extremamente opostas, a curiosidade se fez universal quando um imenso telão na parede esquerda do barracão chamou a atenção de todos nós ao exibir o comunicado de um babaca com sorriso amarelo ditando as regras da situação que, por sinal, eram passadas exclusivamente à minha pessoa, sendo que o resto dos presentes não entendia uma única vírgula do que ele falava. Lembro como se fosse ontem que as palavras cuspidas por aquele desagradável ser foram exatamente: “_Bom dia escolhido, como está se sentindo? Desculpe nossos modos, mas essa era a única forma de conseguirmos sua ilustre participação no nosso jogo. Você deve estar perdido a respeito do que está acontecendo, certo? Mas fique tranqüilo que estou aqui para sanar todas as suas possíveis dúvidas, vamos lá.
Você e muitos outros foram estudados durante meses pela nossa equipe para traçarmos um perfil de alguém que seja totalmente inadaptável ao contexto do show. Não sei se percebeu, mas você está rodeado por uma tribo indígena raríssima de se ter acesso, que nunca teve contato direto com o homem branco, porém sempre foi estudada à distância, sem tomar conhecimento disso. Essa tribo é famosa por seus rituais antropofágicos altamente violentos nas batalhas travadas contra tribos adversárias.
A proposta do nosso reality show de horrores é testar os limites da luta pela sobrevivência, a lei do mais forte. E você, rapaz frágil, estudioso, educado e honesto está sujeito aos mais brutais atos de crueldade ao ser encarcerado neste recinto à mercê destas violentas bestas sedentas por carne humana. Durante dois dias, todos vocês ficarão isolados sem almoço, janta, café da manhã e nem mesmo aquela boquinha na madrugada ao se assaltar a geladeira. Isso vale também para todos os integrantes da tribo, separados uns dos outros, para que a fome os consuma ao máximo e no terceiro dia todas as fronteiras que os distanciam serão retiradas. Não há regras. Se você conseguir sobreviver, subimos no ibope, se você morre, há mais seqüestrados esperando sua vez. Que se faça o espetáculo sangrento”

Porco nojento... Quebrou as pernas. Todo mundo apostando contra mim. Tomaram no cu, bando de sádicos malditos. Mais do que nunca aquele ditado que diz “não meche com quem tá quieto” fez sentido pra mim.
Eu preciso destacar que aquela parede de vidro além de dividir o povo primitivo de mim, foi também um divisor de águas na minha vida. Posso afirmar que havia outro eu antes daquele fatídico terceiro dia e, após ele, surgiu um novo ser que nem eu mesmo posso lhes dizer o que é. Tenho certeza que agüentaria completar uma semana sem comer nada, mas o que estava em jogo agora não era a questão de não se alimentar, mas a de não servir de alimento.
Lembro que mesmo com o vazio da fome extrema me corroendo, ainda tentava bolar uma estratégia pra sair daquela enrascada e no último segundo tive a luz de me embelezar com lama pra ficar o mais parecido possível com eles antes de me esconder no alto de uma árvore. Minha idéia era observar de camarote eles se devorando uns aos outros até que não sobrasse mais ninguém pra contar história e o último vivo começasse a cortar partes do próprio corpo para se alimentar me dando vantagem para acabar com ele. Que ingênuo que eu fui. No primeiro dia da festa a produção do game aceitou calada minha tática, no segundo ameaçou me tirar de lá e jogar no meio da carnificina ou revelar meu esconderijo pra tribo, no terceiro chegamos num acordo que eu poderia descer toda noite pra comer os restos mortais, o que talvez fosse um atrativo para os telespectadores. Visto que a audiência estava caindo desenfreadamente, voltaram às ameaças e eu fui obrigado a entrar de cabeça no contexto.

Fiz minha primeira vítima golpeando com uma pedra na cabeça um dos participantes que distraído se esbaldava agachado numa gororoba de vísceras. Os outros, estufados pelo banquete humano apenas observavam deitados nas redes enquanto eu mutilava os corpos e os levava para longe de sua vista. A presa e sua presa, comida em dobro. Após as frustrantes tentativas de gerar fogo como nos filmes que eu via quando adolescente, decidi me empanturrar com a carne crua mesmo, desesperadora era minha fome.
Rezam algumas lendas que o sabor é agridoce, outras que a textura é a mesma do porco. Não pude tirar tais dúvidas, pois ao primeiro contato com o paladar entrei num estado absurdo de torpor. A única semelhança próxima aos suínos seria o deleite equivalente ao de ter um orgasmo por meia hora. Nesse caso, não sei por quanto tempo estive fora.
Acordei tremendo devido à falta de costume e o excesso de carne humana ingerida. Passei a tremer mais ainda, porém de raiva, quando percebi que meu estoque havia sido surrupiado pela produção do programa que deixou um bilhete: “_Parabéns pela primeira etapa vencida, mordemos nossa língua e agora vemos que é capaz de ir adiante. Mas não podemos deixá-lo abastecido com tanta comida, pois o evento teria um hiato indefinido até que suas reservas esgotassem e o ibope cairia bruscamente. Se quer comer, cace! Mate!”
E eu dei àqueles bastardos o que eles queriam. Mas o fiz com tanta sede de sangue que mais parecia um ato irracional de vingança do que luta por sobrevivência. Hoje em dia ouço dizer que o ibope caiu de qualquer maneira porque mesmo os fãs mais sádicos não tiveram estômago pro genocídio que se tornaram aqueles dias. Os indígenas mantinham cautelosa distância de mim sob a terrível ansiedade de saber quem seria a próxima vítima. Eu me sentia no topo daquela cadeia alimentar. Já não pensava como cidadão nem lembrava nitidamente minha própria história de vida. Separava membros com as mãos nuas, torcia pescoços como se faz com as galinhas na fazenda, parecia uma criança me lambuzando com as tripas e ao limpar a boca nas costas da mão. Já é de se imaginar o desfecho disso, né!?! Me adaptei ao sabor e textura daquela refeição, na verdade fiquei dependente como um viciado em drogas, e venci o programa disparado como o participante que mais ingeriu do prato principal. Única opção no menu pra falar a verdade...
Tenho certeza que um dia essa história será roteirizada e levada às telas do cinema por algum perturbado diretor italiano.

Censurado pela mídia, crucificado pela sociedade e abandonado pelos seguidores que se mostraram fracos de estômago ao verem minha oculta personalidade, o que me restou foi tentar voltar à minha antiga vida pacata que agora já não era mais tão discreta assim, mas eu tentava me manter longe dos holofotes.  Quando a abstinência chegava ao seu limite, abria exceções e beliscava um churrasquinho de indigente.
Os meus dias eram tão desimportantes que eu mal me lembrava o que havia feito no fim de semana anterior. Até tentei faculdade como já mencionei, na área de gastronomia... Mas minha receita secreta com “ingredientes exóticos” não agradaria a banca de jurados no trabalho de conclusão de curso, portanto desisti.
Depois de muito tempo isolado e tendo o cuidado de andar sempre disfarçado, fui descoberto e convidado por um topetudo com sérios distúrbios mentais pra fazer parte de uma jogada. Queria que eu fosse seu ajudante numa caçada a todos os sósias gordos do Rei Elvis Presley (!?!). Se a intenção dele fosse acabar com a concorrência eu não me admiraria, conhecendo bem a sociedade individualista em que vivemos onde as pessoas devoram umas às outras para se beneficiar. Enfim, não me perguntem seus motivos. Eu poderia ter me cagado de rir se não tivesse me ofendido achando que ele tirava uma com a minha cara. Mas aceitei no ato quando foi mencionada minha parte nessa saga doentia.
Eu já tinha vagamente ouvido falar em algum lugar que não me recordo, de um tal serial killer com essa estranha característica aí da história do Elvis.  E justamente pela sua fama mesmo que anônima estar crescendo, é que ele precisava de alguém pra sumir com os corpos das vítimas para os acontecimentos passarem despercebidos e as investigações serem arquivadas. E nada melhor que um desprezível apreciador de carne humana para tal causa. Uma espécie de queima de arquivo.

Nossa “sociedade” se dissolveu quando o hipócrita começou a pegar no meu pé. Veja se pode, o cara tem a porra da obsessão por caçar e matar os tipos mais escrotos do show business e vem me criticar pelo meu gosto peculiar pra culinária? Lembro da nossa última discussão: “_Ah vá à merda, eu não tenho culpa, fui vítima da mídia. Nesses reality shows eles exploram o que há de pior no homem: o ódio, a ganância. Eu aproveito o que há de melhor: a carne!”... Não exatamente nessa ordem nem com essas palavras...

terça-feira, 21 de junho de 2011

Será que eu Mato Uma Celebridade?

Será que eu Mato Uma Celebridade?

Ps.: Isto não é uma história de amor.
I
Sua sombra é única.
Uma parte a outra ofusca
Ele quer, mas na miúda.
Dando em cima na caruda
Ela cai na lorota mais fajuta
Chama Raimunda. É feia de cara, mas é boa de bunda.
Amasso secreto no fusca
Admitir pros outros nunca
Em seu peito nada muda
Tirar proveito não lhe causa culpa
É safada, mas não puta.
Ele pede, ela chupa.
Põe de quatro, morde a nuca.
Lubrifica com sabão até fazer espuma
Mesmo à força não machuca
Pega o pau lhe dá uma surra.
Tanta carne, ó fartura.
Não se trata de gordura
Com relaxo não confunda
Mulher cavala, demônia parruda.
Corpo belo, não assusta.

Ápice, frenesi, loucura.
Fim do mundo e o corpo sua
Perde os sentidos, fica surda.
Ouve passos, fica muda.
No silêncio, sons de agulha.
Serem pegos? Medo, paura.

Só tesão, sua cura
Compromisso nem matuta
Gritos e gemidos, conversa curta.
Já gozou, esquece e chuta.
Tira um cigarro do maço, acende e fuma.
Vai ao boteco tomar umas
Com os amigos jogar sinuca.

Quem mandou ser tão burra?
Queria matar o cabra, ser logo viúva.
Ao menos soco na cara, olho roxo como uva.
Coitadinha da Raimunda
É muito feia de rosto, mas tem uma bela de uma bunda.

II
Beto estremece toda vez que se lembra da mancada que, por puro jogo de cintura, não cometeu ao se dirigir à moça do RH do escritório onde trabalha. Por pouco não deixou escapar o apelido secreto que ele e seus companheiros de repartição criaram a respeito de sua destacada saliência traseira. “Raimunda”, antigo rótulo popular brasileiro para referir-se a mulheres não muito atraentes em se tratando da face, porém extremamente privilegiadas na região das nádegas.
Hoje, passado o susto, não se recorda o que realmente foi falar com ela, a Flávia. Mas como se safou da saia justa é de se orgulhar e motivo pra rir de tudo isso no futuro: “_Rai...” – ele ia dizendo distraidamente. “_ Quê? Raaai?” - perguntou confusa ela.
“_ Rai...va que eu sinto quando meu estômago tá roncando de fome e não posso sair no meu horário certo de almoço, pois tenho que  ficar aqui adiantando as coisas por que o irresponsável do William faltou hoje de novo. Toda semana morre um tio dele” – foi o pensamento rápido que ele proferiu como se houvesse ensaiado semanas frente ao espelho, não sem levemente gaguejar, é claro. O que resultou num sorriso simpático, por incrível que pareça vindo daquela face tão desprovida de beleza. Talvez pela gagueira, talvez pela citação da morte dos tios do William. O que importa é que desse momento em diante os dois começaram a ter um relacionamento melhor dentro da empresa até migrar pra fora dela.
Os amigos repararam e logo iniciaram as provocações e piadinhas de mau gosto. Aquelas que só eles entendiam e, ousadamente, falavam na frente dela que parecia não entender nada (ou fingia, quem sabe?), mas retribuía com um, aparentemente, ingênuo sorriso de boa relação interpessoal, o que deixava Beto vermelho de vergonha e sentindo-se muito culpado. É fato que homem quando se junta pra falar de mulher, moleque principalmente, é uma competição só pra ver quem é o mais insensível e ogro, mesmo que seja tudo hipocrisia. Com eles não era diferente, se já expunham todas as intimidades de seus namoros, cuja seriedade era oficializada com alianças de compromisso, imagina o que não falavam de quem não passava unicamente de uma bunda para suas concepções!?! Beto pra não ser excomungado do grupo, claro, entrava de cabeça no personagem e degradava a imagem de Flávia sem pestanejar. Mas é óbvio que sequer mencionava seus encontros com ela, pois ninguém tinha certeza apesar de todos desconfiarem. Apenas destilava seu repertório de comentários machistas e inescrupulosos: “_Essa ai não dá pra passear de mão dada no shopping nem apresentar pra mãe. Se eu pego é só anal sem beijo na boca...”. E pra tentar soar engraçadinho completava “_Com cerol no pau!”

Não demorou muito para que os simples bate-papos no ponto de ônibus se tornassem convites para sair, bilhetinhos íntimos, ligações na madrugada, mão na bunda durante o expediente e sexo, muito sexo.
Apesar de o ritual da conquista nesse caso não ter sido lá dos mais complicados, Beto achava ter tirado a sorte grande. E bota grande nisso, que bunda era aquela!?! Dizia pra si mesmo que só faltava ser virgem aquela Raimunda. Do convencional descobriu mais tarde que não era não, havia perdido a preciosidade de mulher com um primo mais velho, mas da preciosidade traseira era e jurava que morreria assim. Papinho furado que ele já ouvira antes seguido de queda em contradição.
Investiu com todas as armas para moldar as atividades sexuais à sua maneira, e batalhou muito para entrar pela portinha de trás. Até que um dia obteve sua recompensa por tamanho trabalho árduo e simplesmente decidiu que não conseguia ficar com mulher feia. Precisava poder olhar nos olhos e ver a cara de sofrimento causado pelo atrito da penetração mais apertada. Dá-lhe acrobacias. Machucou profundamente (sem malícia, por favor) a moça, mas admirou-se por não ter sentido um pingo de peso na consciência.

III
“Os mais velhos são mesmo uns masoquistas, né!?! Vivem se gabando por terem sofrido um monte durante boa parte da vida com o intuito de me convencer que meus problemas não são nada perto dos deles. Dando a entender que só por que eu sou jovem, não tenho sentimentos.” Frase inicial da sessão de terapia do Beto, que não sabe por que procurou ajuda profissional, mas sempre teve curiosidade de saber como é.

“_Sr. Carlos Ro...” – dizia o psicólogo antes de ser interrompido e corrigido.
“_Beto apenas, por favor.”
“_Certo, Beto. Você poderia me explicar o porquê dessa sua afirmação?”
“_Já explico doutor, é que antes eu queria dizer umas coisas. Desde sempre eu vi muita merda fedendo ao redor, desde a infância quando eu era feliz e não sabia, não tinha responsabilidades, não sabia que ia morrer um dia. Por exemplo: tem esses padrões de beleza que são enfiados no rabo da gente pela TV desde que você possa se lembrar e cresce condicionado à isso. Teve essa menina feinha coitada, mas tinha um rabo que, PELAMORDIDEUS, até fiz um esforcinho pra encarar a cara medonha. Maldade à parte, era uma excelente pessoa, que se não fosse essa minha frescura criteriosa estética, daria pra casar sossegado. Me deu o valor que eu não merecia, isso que eu não sou nenhum Marlon Brando nem porra nenhuma, e o que foi que eu  fiz? Unicamente entrei em seu rabo e fiz um tremendo estrago na sua cabeça. Não que eu tenha empalado a pessoa, até parece, nem tenho tudo isso. Mas me aproveitei da ingenuidade dela e tirei proveito só do que me interessava a curto prazo. Acabei ferindo um coração e o pior é que não me sinto mal por isso...”
“_Prossiga”
“_Isso só pode ser culpa do tal do amor próprio. Me infernizaram tanto pra eu aceitar essa merda quando eu sofria por amor em uma outra ocasião que levei ao pé da letra. EU ME AMO! Ponto...Virei um insuportável filho da puta narcisista, sou apaixonado por mim mesmo, me acho o máximo.”
“_E isso não é bom?”
“_Se é! Achei que você fosse me chamar de egoísta, individualista. Não que eu passe em cima dos outros pra conseguir o que quero, mas nesses casos eu não vacilo em pensar unicamente em mim. Se eu não foder com a pessoa, ela me fode, então... Sem contar também que eu era um paranoico imaginando se a minha amada não estava com alguém, com quem ela estava trepando, se o pau era maior que o meu. Besteira! Tatuaram na minha mente que NINGUÉM É DE NINGUÉM, pois bem, ótimo, virou minha filosofia de vida. Tanto que eu to cagando pra compromisso e não penso duas vezes em comer a mulher do próximo, desde que esse não seja conhecido meu.”
“_Se está convicto de seus pensamentos e isto lhe faz bem... Só considere seriamente as consequências”
“_Ah, pode deixar, sei meu limite. Infelizmente vivo em sociedade e tenho que andar na linha. Mas continuando e por falar nisso, me lembrei de quando morreu meu tio, irmão mais velho da minha mãe, foi um baque pra ela. Eu não tinha muito contato com ele nem com meus primos há bastante tempo, mas mesmo assim fiquei mexido. Quando soube da notícia não parava de lembrar quando eu sempre o encontrava na volta da escola vendendo sorvete. Mas enfim, no dia da tragédia, estávamos todos nós em casa após o velório e o vizinho ouvindo no volume máximo suas músicas idiotas da moda. Talvez ele nem fizesse ideia do que se passava, mas no momento só consegui acreditar que era tudo de propósito. Talvez fosse a repugnância que eu sentia por aquele tipo de música e o tipo de gente que se deixava contaminar por tal mau gosto.
“_Você precisa aceitar e aprender a conviver com as diferenças”
“Ah não doutor, não me vem com esse papo. Diferença é uma coisa. Filha da putisse é outra, em seu sentido mais abrangente. Eu to cansado de ter que engolir um monte de merda a vida toda a seco.
A sociedade quer te moldar, forçar a ser o que você não é, a fazer o que não leva jeito, não tem interesse. Quer que você se enquadre, como se você estivesse errado, como se cada um não fosse um universo.
Quem é de classe baixa não tem o direito de sonhar. Isso mesmo. Desde cedo você precisa trabalhar e pensar no que vai ser quando crescer. As pessoas ao redor, os professores e a TV te pressionam pra você crescer rápido, pra ter na ponta da língua a resposta pra todos os questionamentos sobre o futuro. Você tem que deixar de lado os sentimentos, os sonhos, os desejos mais íntimos e ser tornar um adulto frustrado pra fazer aquilo que não gosta visando somente os lucros financeiros. Assim se tornará um obeso em frente à TV comendo porcaria e preenchendo o vazio que sente no peito consumindo coisas que não vai utilizar. Vão te crucificar por perder tempo fazendo aquilo que gosta e que aos olhos deles é algo que não vai lhe acrescentar nada para uma futura carreira de sucesso perante os valores modernos. Todo mundo se acha certo demais, adulto de mais. Tem gente que se tornou importante demais pra lembrar dos amigos de infância, das pessoas que ficaram pra trás no bairro pobre onde ele morava antes da ascensão, do filho doente internado em clinica de recuperação para drogados. Mal percebe que é um escravo do sistema e trabalha pesado enchendo o bolso dos que estão por trás das cortinas enquanto esmola por dois míseros dias de liberdade no fim de semana. Se acha o tal quando enriquece, mas era humano de verdade quando era pobre. Pra mim não passam de uns filhos da puta.”

“Bom, doutor, o que eu estou querendo dizer é que, pode parecer, mas eu não sou revoltado. Tenho todos os motivos pra ser. Uma pessoa triste inclusive, desanimada. Não que não tenha me afetado. Meu rendimento não é bom há muito tempo. Os primeiros sinais disso se deram pela falta de atenção, quando eu passei a ir de bicicleta na padaria e voltar a pé pra casa, por exemplo. Daí quando estava terminando de colar o álbum de figurinhas da copa de 94 é que eu me lembrava e voltava o percurso inteiro correndo. Por sorte, a bicicleta sempre estava lá. Ao contrário dos guarda-chuvas que eu deixava na escola. Aos poucos eu fui me tornando uma criança introspectiva e  deixando de pedir dinheiro aos meus pais pra comprar roupa nova pro Réveillon, aos 15 já não soltava fogos, hoje durmo antes da meia noite.
Mas hoje em dia, sinceramente, eu deixei de esquentar a cabeça com esse tipo de coisa, essa é apenas minha opinião sobre o que vejo. Tanto que muitas vezes tenho receio até de ler, de procurar conhecimento, pois quanto mais eu abro meus olhos mais eu vejo sujeira ao redor. Todas essas experiências me calejaram pra vida, me tornei uma pedra com sangue coagulado nos olhos. Talvez a desconfiança seja um mau, mas não da pra sair por ai pondo a mão no fogo à toa. Só a família e nada mais. Observando que parente não é família, hein!?!”

IV
Mas nem só de amarguras vive uma pessoa, por mais baixa estima e vítima da Lei de Murphy que seja como o Beto. Um em um milhão, no caminho para o psicólogo refletia sobre um acontecimento maravilhoso do dia anterior e resolveu dividi-lo com o profissional.
“_Mas, doutor... Mudando um pouco de assunto, ontem me aconteceu uma coisa legal. Fui à biblioteca pública retirar um livro que havia reservado e fui presenteado pela atendente, pois o exemplar estava um tanto surrado ao ponto de não haver mais salvação a não ser reciclagem ou presentear um leitor. Foi o que aconteceu.
O título é aquele “O Apanhador no Campo de Centeio” do autor J. D. Salinger, livro famoso por ter servido de inspiração ao assassinato de John Lennon (segundo o próprio assassino). Será que eu mato uma celebridade? Estava pensando no ídolo teen do meu vizinho que eu já mencionei. Está tudo planejado, independente dos meus traumas da infância que podem ter virado essa bola de neve e me levado a matar, eu posso culpar o livro. Que tal?”
“_Que nada, você pode alegar que o motivo foi a música ruim dele mesmo!”

terça-feira, 14 de junho de 2011

Gráfica da Luz Vermelha


Maldito sistema capitalista... Tá, comecei mal, né!?!
Não é querendo levantar nenhuma bandeira nem pagar de panfletário, mas pense bem. Maldito mesmo, e essa sociedade também. Veja à que ponto chegam as pessoas, o quanto se sujeitam. Não que não seja digno, pelo contrário, acho que qualquer profissão o é, desde que não prejudique aos outros intencionalmente. Por exemplo: eu não acho que o tráfico de drogas devesse permanecer proibido. É compra e venda de qualquer forma, as leis é que estão ai pra vetar isso, aguçando a curiosidade de quem acha o proibido excitante. Se fosse legalizado talvez continuasse a mesma merda, mas pelo menos existiriam empresas comercializando e não um exército do submundo defendendo seu negócio com sangue derramado, formado por soldados que desde o berço convivem com uma realidade sem perspectivas. Resumindo, compra quem quer, usa quem quer, cada um é dono da própria saúde e sabe o que faz com o próprio corpo. Ninguém obriga ninguém a consumir, ao contrário do que é legal e tem direito a todo tipo de divulgação que atinge todo o tipo de massa e faixa etária. Mensagens subliminares, monopólios, sensacionalismo, etc. Parece que é tudo manipulado, pense bem...

Falando em manipulação me ocorreu oura profissão. É legalizada e em todo lugar que você pise sempre haverá um “profissional” da área.  Apesar de serem raras as exceções, mas, Meu Deus, como eu odeio vendedores, você não tem noção do quanto. Quem sou eu pra julgar? Longe de mim. Excluindo, nesse caso, quem não teve instrução nenhuma, vítima frustrada de sua nação natal que só investe em turismo e não no seu povo. Talvez essa pessoa, por não ter nada, dê valor para o que venha a conquistar e, apesar do sacrifício inicial, invista em si mesmo já que seu país não o faz.

Sorrisos plastificados, gel no cabelo, frases prontas, comissão. O lado sujo do esquema. Gente que não gosta do que faz, mas se acha espertinho e é controlado por um verdadeiro esperto por trás de tudo.
Fazem a abordagem somente nos momentos em que você não tem intenção nenhuma de consumir, apenas pesquisar preços ou namorar o produto da vitrine. Alguns chegam a te abduzir de fora da loja. Já naquelas horas em que você mais precisa sanar uma dúvida, somem de propósito ou fingem não te ver.
“Posso ajudá-lo?” é o que diz na camiseta. “Olha, sinceramente? Ajudaria se não atrapalhasse, se me deixasse respirar em paz e pensar sozinho!” é o que todo mundo gostaria de dizer, mas não o fazem para não serem rudes, afinal, aquela pessoa é paga praquilo. Será mesmo? Então que bela bosta de estratégia pra cativar um cliente, viu!?! Bom, mas mesmo nessas categorias, você ainda encontra (mesmo que um em um milhão) algumas pessoas simpáticas de verdade, que sabem fazer uma abordagem que não soe inconveniente, pressão. Ou vendedoras lindas que despertam vontade do cara entrar até em loja de lingerie sob qualquer pretexto apenas pra se aproximar.
Agora, o destaque maior de “pé no saquismo” vai praqueles tipos que atuam nas ruas e conseguem te vencer pelo cansaço (“_Puta que pariu, vou ouvir o que esse filho da puta tem a dizer e me livrar logo disso!”) com aquelas frases decoradas do manual do vendedor chato que de tão pré-fabricadas lhes deixariam em maus lençóis se a pessoa abordada resolvesse fazer algum questionamento fora do seu roteiro de respostas prontas.
Em certo momento de fraqueza em minha vida, sugerido inconscientemente por quem queria me fazer enxergar que eu não sou capaz, fui a uma entrevista/palestra desse ramo e, tenho que bater palmas, eles realmente sabem o que estão fazendo. Eu não admiro apenas essa postura inabalável que eles mantêm ao levarem patada de pessoas impacientes ou anti-sociais, mas também a cara de pau de em um pentelhonésimo de segundos decifrarem o perfil da vítima e dizerem exatamente aquilo o que sabem que ela quer ouvir. Ou deparados com pessoas de forte personalidade, manipular suas respostas e assim, sua decisão final. É tudo manipulado, pense bem...

Tive esse longo momento de reflexão enquanto esperava minha senha surgir no painel. Havia ido a uma gráfica fazer cópia de um boletim de ocorrência relatando que fui assaltado aquela tarde. Mentira, não fui assaltado coisa nenhuma, mas meu chefe me mataria se soubesse que perdi o celular da empresa. Não pelo dinheiro que ele gastaria pra comprar outro, mas pela minha falta de atenção que dessa vez passou dos limites. Não bastasse o maldito aparelho, perdi o guarda-chuva novinho da Dr.ª Luíza, sócia dele. Rezei pra que estivesse no escritório da Dona Sílvia onde eu havia ido pouco antes do ocorrido entregar alguns documentos, mas a secretária Carina, sabendo da real, ligou lá pra confirmar inventando uma história tentando me acobertar e nada do celular. Bom, pelo menos com o boletim me livro da culpa e do desconto no salário, talvez com a ceninha que eu contei ele até se preocupe comigo e sinta pena. É tudo manipulado, pense bem...

Retirei minha Xerox, paguei no balcão e saindo de lá me dirigi a um orelhão que se encontrava na esquina com o objetivo de relatar cada passo ao Doutor Hernandez, meu patrão... Pois é, o cara é um mala mesmo.
Sabe quando você está ao telefone conversando distraído e começa a manusear a primeira coisa que vê mais próxima sem saber por que o faz? Então, terminada a ligação percebi que tinha em mãos um desses folhetinhos contendo contato e slogan de garotas de programa: “Marilzete – safada e apertadinha” (quem vê pensa).
“Aproveitando o ensejo” como diz o comédião que paga meu salário, já que estava a pouco refletindo sobre formas diferentes de ganha-pão e ainda por cima, fazia isso estando em uma gráfica, passei a pensar nesse tipo de profissão, mas não querendo julgar seu valor, dessa vez a reflexão foi sobre um ponto mais curioso. Onde será que essas mulheres fazem essas impressões? A arte final? Será que há uma máfia por trás disso tudo? Uma conspiração? Será que é tudo manipulado?

Apesar de cismar em descobrir tal mistério, não sabia por onde começar. Tentando organizar as idéias percebi que não seria uma tarefa simples como pesquisar nos livros, internet, perguntar pros avós, pra polícia ou consultar algum sábio em meditação no alto de uma montanha. Decidi ir a um local freqüentado por tais profissionais do “séquissu”, como já ouvi algumas delas pronunciando, acompanhado de alguns amigos da minha sala na faculdade de Cinema, pondo em prática um plano há muito combinado, porém sempre adiado... Pois é, o povo aqui do Acre se enrola demais pra fazer as coisas.
Enquanto o pessoal se deleitava com o strip de uma “dançarina”, minha mente se encontrava em outro lugar, pensando a respeito. Além da idéia bizarra da existência de um sindicato que lutasse pelos direitos das meretrizes, me veio nitidamente a imagem de uma gráfica para tais fins. E aí o pensamento foi longe...

Na recepção uma atendente com enormes unhas vermelhas, mini saia quase mostrando o útero e decote escandaloso trazendo toda atenção para as próteses de 300 ml. Com os olhos semi cerrados e a língua irrequieta removendo o brilhoso batom vermelho–sangue chamava pelo próximo cliente com excitante tom de sedução.
No setor da arte final, se o cliente não tivesse nenhuma imagem no disquete, mas uma idéia em mente, a foto poderia ser providenciada no ato. Se o problema fosse um belo par de nádegas turbinado e durinho, modelos é o que não faltava na repartição. Havia inclusive um scanner com alta resolução e vasto alcance para captar a bunda de qualquer tamanho da prostituta que sentasse em cima.
Fiquei imaginando os tipos de clientes e pedidos bizarros que eles tinham que aturar: “_Oi, eu queria fazer um cartão de visita escrito Andréia Drag Queen – Escatologia e Sexo com fezes
Imagina então o papo furado no horário de almoço: “_Tem cada cliente estúpido né!?! O mané me traz um adesivo preto pra recorte e pede que eu imprima um texto em branco, vê se pode!?! E pra explicar pra ele que além desse tipo de material não receber impressão, não existe tinta branca? Sabe o que o viado me respondeu? _ pode deixar que a tinta branca eu fabrico agora mesmo e fixa bem em qualquer superfície!”

Saí do transe quando me deparei ereto com uma delas rebolando sentada em meu colo. Além de ver todos os meus amigos sendo arrastados para quartos em pontos estratégicos do recinto, ninguém é de ferro, né!?! Aproveitei o ensejo para tirar o atraso e por em prática o meu plano retardado. Me arrependo de não ter procedido nessa ordem...
Após as preliminares (dela em mim, é claro), quando eu já não me agüentava mais e, assim como um carro pede a troca de marcha, a situação pedia uma penetração, fiz a bela cagada de tocar no assunto. Mal terminei a frase “_Hein, onde vocês imprimem esses folh...” e a luz baixou, o silêncio tomou conta do ambiente como se houvessem milhões de pessoas ao redor cantando e dançando e de repente silenciassem. Não preciso nem mencionar que brochei... Por um segundo fingi pra ela e pra mim mesmo que não entendia o que havia falado de tão grave. A sensação foi como se eu houvesse insultado um povo oriental e sua cultura milenar.
A clássica cena de Western Spaguetthi e dos quadrinhos do Tex onde o sujeito é literalmente chutado pra fora do bar por aquelas portas divididas no meio que vão e vêm me veio à tona quando fui expulso do quarto pela striper. A galera só parou de caçoar de mim quando outro amigo nosso também foi expulso do quarto em que estava, mas dessa vez por uma garota muito mais estressada gritando pra todos ouvirem: “_Segurança, tira esse verme que gosta de fio terra da minha frente”. Minha vergonha passou a ser alheia...

Aquela noite foi mesmo turbulenta, mas parando pra pensar hoje em dia até que foi engraçado. Resolvi esquecer essa história e deixar as moças trabalharem em paz. Respeitar sua correria atrás do “pau de cada dia”.
Percebi que é melhor desencanar desse mistério, pois assim como não se sabe a origem das pirâmides do Egito nem o porquê dos chineses só investirem no ramo da pastelaria, nunca saberei onde elas produzem seus materiais de divulgação.


sábado, 11 de junho de 2011

Pequena Grande Mulher


Como retribuir tamanho conforto físico e mental por manter tua temperatura elevada mesmo em ambiente tão gélido?

Umidade que não causa gastura, não compromete o cômodo com mofo.

Em meio à superlotação de transpores públicos, estes onde sempre esqueço meus guarda-chuvas... De pé rente à minha face, teu estratégico calor humano é o único que se faz notável.

Me aqueces não se importando com o frio extremo de perder todo o sangue do corpo.

Odor viciante que desmistifica, humaniza.

Infeliz dúvida de como agir perante tal visão frágil, sensível, sendo eu indivíduo desprovido de delicadeza. Que receio é esse de quebrar-te que me assombras?

Mal sei que teus caminhos não têm fim, constroem e destroem famílias, lares...

Por outro lado, seria motivo para o homem deixar de guerrear. Ou talvez o contrário...